Não muito longe de onde eu estava, provavelmente daquele mesmo lugar onde eu ia indo, acompanhada apenas por um piano, a mulher cantava uma velha canção de Vinícius, e por falar em saudade, onde anda você, uma coisa mais ou menos assim, eu não sabia a letra direito, uma canção de ausência, saudade e perda, isso eu sabia, e levantei a cabeça para ouvir melhor, tentando prender os farrapos de versos que se perdiam no ar, levados pelo vento morno, onde andam seus olhos que a gente nem vê, eu fui acompanhando sem cantar, eu não sabia, os trechos que ainda lembrava, era tão antiga, pendurei a mochila no ombro, comecei a andar mais depressa para encontrar aquela voz, e por falar em você, razão de viver, você bem que podia me aparecer, e eu sempre tivera certeza que, desde o início, embora tudo pudesse continuar a ser somente loucura, vontade de voar, eu nada tinha a perder perseguindo uma canção, razão de viver (ABREU, Caio F. Onde andará Dulce Veiga? p.221-222. Rio de Janeiro: Agir, 2007).
Onde andará Dulce Veiga…
Março 26, 2009 por Juliane Wëlter
será que não sabia-se onde andarava ela mesmo?
Já vivi coisas assim. Mesmo não sendo músico, tenho uma relação muito íntima, vital, eu diria, com esta arte. Minha vida talvez não desse um livro, mas certamente daria um disco.